05/05/2014

Liane Moriarty - O Segredo do Meu Marido


Um segredo insosso...

Um livro que supostamente deve "entrelaçar" a vida de três mulheres, Cecilia, Tess e Rachel. Uma não conhece a outra, mas moram na mesma cidade e pelo que se deduz, o tal 'segredo' deveria ser tão mas tão fantástico, que as três se tornassem unidas.

Depois de tantas resenhas favoráveis a tal livro, resolvi ler, crente que teria um grande suspense - daqueles que nos deixam o tempo todo ansiosos pelo desfecho, pela descoberta do bandido da história. Ou do herói. Ou de, pelo menos, alguém que deslinde a trama e arremate a tramoia com chave de ouro: Não tem nada disso na história de Liane Moriarty... E eu me peguei pensando, o que afinal todos viram de tão bom ou interessante nesse livro? Será que a trama, uma história morna sobre dois casamentos malfadados e a vida de uma senhora viúva, deprimida e inconformada com o destino é algo assim tão fora do comum? Não, definitivamente: Histórias como essas existem demais por aí, na vida real mesmo. E até mais dramáticas, mais doloridas, porque são reais e mesmo quando não nos afetam pessoalmente, sofremos junto. Dá para se comover com Cecília, quando ela descobre o 'segredo' do marido? Mais ou menos. De início nos pegamos penalizados com a sorte daquela dona-de-casa dedicada, esposa amorosa e mãe apaixonada pelas filhas. Afinal, em todas as mulheres existe isso, essa empatia, o espelhar-se nas outras, colocar-se no lugar das outras mulheres e sentir na pele o que elas sentem. Entretanto, essa empatia vai desaparecendo à medida que prosseguimos a leitura.


O drama de Tess é definitivamente o mais intragável da história: Como perdoar um marido que se comporta da forma que Will se comportou? E um casamento remendado daquele jeito vale todo o empenho e esforço que ela dedicará? E a maior pergunta: O que Tess tem a ver com as outras duas, se na história toda ela mal olha para Rachel e Cecília? Não, essa não cai bem. Não desce, a história de Tess nada tem a ver com o "segredo" da história, exceto pela pontinha que a ligará a Connor Whitby (e que no fim das contas, tem pouco a ver com todo o resto).

A gota d'água é a vida de Rachel - e o martelar constante sempre no mesmo tema. E a obsessão dela contra o suposto inimigo. E o que ela faz no fim.

E é um final sem sal, sem açúcar, sem pimenta. E meio sem sentido, dando a impressão geral de que nosso destino é amontoado de decisões aleatórias que levam a um sem-fim de possíveis resultados, que não existe meios de fugir à sorte ou ao azar, que não há justiça divina ou humana para punir e/ou recompensar bons ou maus atos. O final deixa ao próprio leitor a decisão de dizer quem mereceu, quem não mereceu sua "punição". Se é que houve uma punição e não uma mera coincidência... 

Um livro sem suspense, com uma história longa que não conta nada - exceto o que eu disse acima: Que cada leitor decida se os resultados finais foram ou não o que cada personagem merecia. Um livro que não conta uma história de vida, não enaltece ninguém, não causa medo ou espanto, não provoca o terror, nem nos deixa em suspense, ou comovidos. Simplesmente atiça o leitor para saber o que vai acontecer a Fulano e a Ciclano. E isso não basta para tornar boa uma história.

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