05/05/2014

Jojo Moyes - A Garota que Você Deixou para Trás


A Garota Que Você Deixou Para Trás - Jojo Moyes

Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Edição: 1
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
Páginas: 384
Tradutor: Adalgisa Campos da Silva


O QUE ACHEI:
Um bestseller moderno que me surpreendeu pela trama rica, pelo tema (novo para mim, que não gosto de guerra, nem como tema de livros ou filmes) e pelo interesse que tudo isso me provocou. Outra coisa que me deixou intrigada foi em como um bestseller (geralmente escritos como obras para-ler-e-depois-esquecer) pode ser tão comovente e ter personagens tão profundos e inspiradores.

A sinopse fala pouquíssimo sobre o que realmente tem dentro do livro; não é apenas uma trama de amor água-com-açúcar do tipo descartável, mas uma história que se poderia chamar profunda e intrinsecamente bela. Durante a Primeira Guerra Mundial, Sophie Lefèvre e seu grande amor pelo marido é levada a cometer um ato impensado, colocando-a ao lado do comandante alemão Friedrich. Liv, uma mulher de nosso tempo presente, por amar intensamente o falecido marido não consegue entregar aos "legítimos donos" um quadro de um artista francês, Édouard Lefèvre, que lhe foi dado por aquele. É uma lembrança querida do esposo, tanto quanto a "casa de vidro" construída por ele.

E por um acaso cheio de coincidências, dramas, sofrimentos, conflitos e amores, o destino dessas duas mulheres separado por mais de cem anos são confrontados. Sophie tem na parede do quarto o quadro que eles intitularam "A garota que você deixou para trás", o retrato de uma linda moça ruiva com um ar atrevido e atraente, sensual e delicada ao mesmo tempo. A moça do quadro é Sophie, que fora pintada por Édouard. 

Atriz dos anos 1920, Jeanette MacDonald

A história de Sophie, na primeira parte do livro, é narrada em primeira pessoa. Um drama comovente, onde são pintadas com cores fortes a história de uma família francesa dona de um pequeno restaurante, durante a ocupação alemã. Nessa época o marido de Sophie já tinha ido ao front, lutar pela pátria... E a Alemanha já tinha invadido a pátria de ambos. Eles estão separados mas Sophie lutava contra a fome, ajudando a irmã, o irmão adolescente e outras pessoas da pequena cidade a sobreviverem, a não se entregarem ao desespero... É quando um comandante da guarnição alemã se aproxima da casa deles e surpreende Sophie admirando o quadro, onde ela aparece como uma moça bem diferente do que é agora... 

Na primeira parte do livro a narrativa flui com rapidez e naturalidade. Já na segunda parte somos apresentados a Liv Halston, que mal suporta a vida, deprimida pela viuvez. Mas tem outros personagens - uma porção deles - e o leitor quase se perde nesse mar de conflitos cotidianos, pessoas que passam pela vida de Liv com rapidez, numa Londres moderna e indiferente. E ela conhece Paul McCafferty, que trabalha para uma empresa que faz "restituição de obras de arte pilhadas durante as guerras" pelos alemães... E por um acaso do destino... 

Mas nem tudo é o que parece. As duas heroínas são incríveis, cada uma ao seu modo, dentro do contexto temporal e cultural em que vivem. Gostei sobretudo do desfecho da "contenda" final (sem entrar nos detalhes e falar o que não devo), já que, de certa forma, também fiquei ligeiramente entristecida com um amor não correspondido que ocorre na primeira parte da história... E cujo destino foi com certeza, o que deu a vitória à parte certa da contenda. 

Bem, amores bem sucedidos e correspondidos são lindos. Gostei deles na história, porém fiquei mais comovida porque a história também mostra que, no fundo, no fundo, o amor verdadeiro pode brotar em qualquer coração, até no dos inimigos... E pela história 
dA Garota que Você Deixou para Trás vemos isso acontecer. Com lágrimas nos olhos:

“Ele pegou o quadro e desembrulhou-o. Olhou para ele, desconfiado, e depois virou-o de costas. Quando viu o que estava escrito, aconteceu algo estranho com seu rosto. Ele amoleceu, só por um instante, e seus olhos azul-claros pareceram úmidos, como se ele fosse chorar de alegria.
Danke’, disse ele baixinho. ‘Dankeschön.’

E então são essas sutilezas do romance que me comovem muito. O amor não declarado abertamente, não gritado, não escancarado, mas sentido e sussurrado. O que de fato ocorreu entre Sophie e Herr Kommandant? E, por causa de um mal-entendido, uma mudança sutil na nuance daquelas emoções e sentimentos, daquilo que poderia ter sido mas jamais aceito, do que poderia ter acontecido mas não aconteceu... Toda a desgraça recai sobre o mundo deles. De todos eles... O que é o amor, senão um grão dourado de tormento e felicidade no coração da humanidade? O mesmo amor que constrói também pode destruir... E finalmente, reconstruir.

Só lendo para você, leitor, compreender o que estou dizendo. Um livro maravilhoso, como há muito tempo eu não lia e não apenas pelos romances e amores declarados abertamente na história: Também pelo outro, que ficou subentendido.



Um comentário:

  1. Parabéns pela resenha. Amei o livro embora "Como eu era antes de você", da mesma autora, ser notoriamente melhor.

    ResponderExcluir

Comente! Os bons comentários são os alimentos dos blogs...