14/03/2014

Wanda Bontà - Olhos Sombreados


Dois casais, uma mulher sensata e sem beleza, outra leviana e linda. Uma trama intrincada de amor e traição.

Romances Rebeca, Ediouro.

Rosamaria era uma jovem bela, de espírito infantil, mas extremamente leviana. Seu casamento com Gilberto, ingenuamente apaixonado por ela, traria a infelicidade para os que o cercavam, transformando a vida destes em dias de intriga e desespero. Somente a morte de Rosamaria poderia trazer de volta a paz e equi­líbrio de todos...

O QUE ACHEI:
A autora, que é italiana, me pareceu muito boa com "a pena e a tinta".

Uma história que se passa e deve ter sido escrita nos anos 40 ou 50, logo depois da segunda Grande Guerra, fala de duas duplas de personagens: Rosamaria e o marido Gilberto, Carmela e Julio, esta última irmã do primeiro.

Gilberto, um rapaz de abastada família italiana, volta para casa trazendo a esposa, Rosa, a qual apresenta à irmã Carmela. A jovem Rosa surge diante de Carmela como uma criaturinha linda de rosto, mas vazia de mente... o que hoje em dia apelidaríamos com irreverência, de "loira burra".  E ela mostra que de fato, é exatamente isso.


Gilberto, cego de amor e fascinado pela beleza loura, não nota os defeitos da criatura: É desleixada, tem um ar de tédio eterno, ociosa, desinteressada. Fica evidente que não ama o marido, ou se "ama", não se pode entender por quais meandros obscuros e sinistros passam esses "sentimentos", dentro do coração indiferente da moça.

Carmela, que é o oposto da cunhada, é uma moça sensata e madura. Aos 27 anos, considerada já "velha" para se casar, na época, cuida do irmão como se fosse mãe dele. Apaixonada - sem confessar -  pelo médico Julio, nota que, aos poucos, ele parece estar se interessando por uma misteriosa mulher...

Não vou colocar spoilers, mas garanto que o estilo do romance, que parece estranho à princípio, logo conquista a leitora.

A história é boa, e reflete uma realidade comum, naquela época, onde as mulheres bonitas e de cabeça oca - ao estilo Marilyn Monroe - eram mimadas e cortejadas por dezenas de homens desavisados, trazendo para eles muitas vezes apenas dor de cabeça e desilusão.

Rosa é a anti-heroína perfeita: A princípio infantil e ingênua, tornando-se depois maliciosa, esperta e astuta, conquista a atenção de diversos homens, trazendo desonra e tristeza para o marido e a cunhada. Um bom livro.

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