16/03/2014

Henry James - Lady Barberina



Uma Barbie do século XIX, irritante e preconceituosa...

O maravilhoso conto Lady Barberina, de Henry James, retrato de um grande amor norteado pelos valores sociais, revela as complexas experiências de vida do autor e traça um paralelo entre a cultura dos Estados Unidos e a da Inglaterra no século XIX.

Editora: Abril
Ano: 1972
Páginas: 289 (edição dupla com o conto "A Outra Volta do Parafuso")
Tradutor: Leônidas Gontijo de Carvalho e Brenno Silveira

O QUE ACHEI:
Pior do que A Outra Volta do Parafuso, Lady Barberina é mais curto e seco. Os personagens são estanhos, principalmente os da aristocracia inglesa. A tal Lady é filha de nobres e aceita um casamento com Jack Lemon, um médico norte-americano que ao que tudo indica, ela não ama e nem amará, em momento algum...

Um conto curioso e suponho que seja uma crítica velada do autor aos preconceitos dos ingleses (e convenhamos, o povo inglês não mudou nada até hoje!). A "belíssima" (só por fora) Lady Barberina mostra seu temperamento fleumático, indiferente e insípido a todo instante e nos perguntamos como um homem normal e inteligente (como o médico parecia ser) pode ser tão imbecil a ponto de querer tal mulher. E pior, querer casar com ela. E ainda levá-la para seu país!

Desde o início em que se supõe ambos apaixonados, percebe-se o caráter frio, alheio e arrogante da tal dama inglesa. Nesse trecho é flagrante, após uma apaixonadíssima confissão que Jack Lemon faz a ela, durante uma recepção:

"Ela escutara-o sem se mover, e, quando ele terminou, ergueu os olhos. Pousou-os nos dele um momento. Ele lembrou-se, muito tempo depois, da expressão que passara por aquele olhar.
- Pode dizer tudo o que queira a meu pai, mas não quero ouvir mais coisa alguma. Você falou muito, considerando-se o muito pouco que me deu a entender, antes.
- É que estive observando-a - confessou Jackson Lemon.
Lady Barberina ergueu mais ainda a cabeça e fitou-o nos olhos. Disse, depois, com seriedade:
- Não gosto de ser observada.
- Não devia, então, ser tão bonita. Não me vai dar uma palavra de esperança? - acrescentou ele.
- Nunca pensei que viria a casar-me com um estrangeiro. - disse Lady Barberina.
- Você me está chamando de estrangeiro?
- Creio que suas ideias são muito diferentes, e seu país é diferente. Você mesmo declarou isso.
- Gostaria de mostrá-lo a você. Faria com que gostasse dele.
- Não estou certa do que você poderia obrigar-me a fazer - disse Lady Barberina, com sinceridade.
- Nada que não desejasse.
- Tenho certeza de que tentaria agir assim - declarou ela com um sorriso.
- Bem, afinal de contas, é o que estou tentando agora - disse Jackson Lemon.
A isso, ela simplesmente respondeu que devia ir para junto da mãe, e ele foi obrigado a sair do pavilhão com ela. Não encontraram logo Lady Canterville, de modo que Jackson ainda teve tempo
de murmurar-lhe, enquanto caminhavam:
- Agora que falei, sinto-me feliz.
- Talvez esteja sentindo-se feliz cedo demais - observou a jovem.
- Oh! Não fale assim, Lady Barb.
- Tenho, naturalmente, de pensar nisso.
- Tem, naturalmente - concordou Jackson Lemon."


O restante do conto vai mais ou menos por esse caminho. Não é uma história ruim, apenas nos irrita hoje, no século XXI, perceber o quanto algumas sociedades ditas civilizadas do primeiro mundo (principalmente a inglesa) eram gélidas no trato com outros seres humanos que não fossem do seu pequeno círculo aristocrático e/ou da elite financeira. No caso de Lady Barb, nem isso... pois o personagem Jack Lemon é um médico muito rico e mesmo assim foi considerado como um noivo pouco recomendável para a delicada flor de nobreza, a dona do sangue azul mais puro que era a filha dos Lordes Canterville.

O conto é bom e bem escrito mas não pode ser considerado como conto romântico. Antes é uma bela crítica social e o final... Bom, um final digno da tal Lady Barb. Não podia ser diferente.

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