10/03/2014

Bullying, novo termo, antigo problema

Bullying, novo termo, antigo problema
Por Jossi Borges

Quem já não passou por algum tipo de constrangimento, na escola? Crianças e adolescentes,de ontem ou de hoje, passaram ou vão passar por esse problema. O perfil psicológico da criança agressora geralmente sugere problemas familiares, pais que não impoem limites ou agressivos em demasia, temperamento autoritário e rebelde. O perfil dos agredidos, de um modo geral, é o de criança tímida e retraída. No entanto, existem exceções, e toda criança - dos mais afoitos aos mais tímidos - acaba passando por algum tipo de constrangimento entre os colegas de escola. 

A palavra moderna é "bullying", a antiga seria "perseguição". Ou pelo menos era, nos meus tempos de criança... Lembro de ter vivenciado alguns episódios de "bullying" (palavrinha difícil essa!) quando menina, nada de muito dramático mas ainda assim, chato. Porém eu tinha meus métodos próprios para driblar a turminha do "você-é-boba-nós-somos-as-tais", como ter algumas amigas mais velhas... ficar junto delas ou de minha prima um ano mais velha (e mais expert no trato com os 'valentões')... ir conversar com as professoras (de quem eu geralmente era mais "queridinha" por ser mais aplicada e estar sempre com boas notas)... e em último caso, ir falar com a direção da escola.


No final das contas, seja a palavra inglesa ou a tradicional expressão brasileira "perseguição na escola", tudo é a mesma coisa. Ou seja, um problema entre jovens geralmente dos 10 até os 17 anos, que pode se transformar em uma grande dor de cabeça para os pais e motivo de depressão, desânimo ou mesmo desespero para o jovem. 

Porque sejamos francos, hoje em dia - dos anos 1990 pra cá - as coisas entre jovens estudantes ficou muito, mas muito complicada. Para início de conversa, as leis que regem a educação no Brasil ficaram muito "elásticas", muito "folgadas" para os adolescentes. Um jovem de hoje em dia 'tem o direito' de ir para escola com seu celular e ficar fazendo gracinhas na sala de aula. Ah, você dirá, nada disso: A escola em que meu filho estuda proíbe o uso de celular durante a aula...  Sim, pode até proibir, mas será que os jovens irão acatar essa "proibição"? Tenho familiares que são professores e muitos amigos na área educacional e posso dizer que, com toda certeza, os jovens não estão nem aí para as regras da escola. 

E quanto ao desrespeito com professores e funcionários e violência, etc.? Na minha adolescência isso era motivo mais que justo para uma suspensão... em casos severos (alunos provocadores de confusão e brigas), a expulsão era o castigo mais tradicional. Hoje em dia? Nem pensar! Não existem mais leis que consigam coibir a "livre expressão" dos estudantes, mesmo que tais expressões sejam através do bullying contra colegas, desrespeito total contra os educadores, uso indevido de celular, desordem, tumulto, brigas... E ai do professor que ousar ir contra isso. O professor - esse sim - pode perder o emprego, caso seja um professor temporário. Ou receber uma bela repreensão da Secretaria de Educação, se for concursado...

O que tudo isso tem a ver com o bullying, você me pergunta? Quase tudo. Hoje em dia a tão aclamada "liberdade" se transforma pouco a pouco em libertinagem, desordem, caos, brigas e violência. Nunca, em minha época de estudante, eu ouvira falar em "violência nas escolas", expressão que modernamente já se tornou corriqueira... A impunidade é um problema grave no Brasil, sejamos francos. E quando se trata de jovens, ela é ainda maior. Eu sou a favor da maioridade penal aos dezesseis anos: Com certeza isso iria diminuir ou cercear a "valentia" de muitos bulinadores/agressores juvenis.

O que é bullying, afinal de contas?
Vem da palavra inglesa bully, que significa "valentão", o jovem que é popular entre outros, por algum motivo, como força física, aparência ou autoridade. E que se aproveita disso para constranger e humilhar outros jovens em desvantagem de "poder".

O bullying pode ser perigoso?
“O fato de ter conseqüências trágicas, como mortes e suicídios, e a falta de impunidade proporcionou a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema”, diz Guilherme Schelb, procurador da República e autor do livro “Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil”. Sim, existem muitos casos de crianças feridas e agredidas seriamente, tanto em escolas públicas como particulares. E não é só a violência física que pode interferir na vida e no psicológico do jovem: Deboche, pidadinhas  e brincadeiras de mal gosto também podem gerar transtornos para a vítima.

Como os pais devem agir?
Ficar sempre atentos ao que se passa com seus filhos. Conversar sempre, perguntar como ele se sente na escola, como se dá com os colegas, como estão suas amizades. Uma relação que deve ir além de pais-e-filhos, mas que denote confiança mútua, para que o jovem possa desabafar e revelar seus medos ou temores. Acredito que pais que têm um bom relacionamento com seus filhos jamais deixarão de notar sinais preocupantes, e com certeza, poderão agir com rapidez, ajudando-os a superar esses obstáculos.
Se quiser fazer uma denúncia contra qualquer tipo de maus tratos ou constrangimentos, disque 100, número que aqui no Brasil, foi criado para denunciar crimes contra crianças e adolescentes.

2 comentários:

  1. Sempre digo que o diálogo é o início de tudo, pais conversando com seus filhos sobre como se sente na escola, professores atentos as "brincadeiras" entre colegas, direção e coordenação das escolas trabalhando projetos que orientem os alunos a esse respeito. A meu ver pode ser o início da diminuição desses transtornos que se não for bem trabalhado pode levar sequelas por toda a vida. Adorei o que escreveu e abraço!

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    1. Pois é, Jakeline. Tudo tem início em casa: Os pais precisam ficar 'de olho' nos seus filhos. Conversar, conversar sempre e fazer com que se sintam bem ao compartilhar seus medos, suas dúvidas e suas angústias na escola e no meio social onde vivem. Crianças pequenas geralmente gostam de falar, os adolescentes em geral não... aí é que entra o amor da família, que consegue quebrar qualquer barreira e auxiliar o jovem.
      Abraço!

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