29/01/2014

Elizabeth Lane - Escolha do Coração


Uma terrível escolha para  Coração de Lobo...


Clássicos Históricos Especial  92 / Editora Nova Cultural / Título Original - Shawnee Bride / Copyright 1999- by Elizabeth Lane.

América do Norte, 1747.

Coração de Lobo havia muito aceitara seu caminho de vida. Nascido num mundo, criado em outro, conhecera a dor e a solidão de ser diferente desde quando podia se lembrar.

Até descobrir Clarissa Rogers lutando para sobreviver numa terra selvagem. Lá, ele a pediu em casamento.
Arrancada de uma vida de confortos, Clarissa lutara pelo direito de viver com seus captores como igual. Mas o futuro dependia dela. Escolheria voltar a  seu mundo de privilégios ou aceitaria a liberdade da nova vida e o amor do Guerreiro índio por quem se apaixonara?

O QUE ACHEI - Resenha de "Escolha do Coração":
Um romance e tanto. Inicialmente, parece meio cansativo, com tantas idas e vindas no humor de Clarissa, um moça mimada, teimosa e, a um tempo, inocente.
Ela passa por provas duríssimas na aldeia indígena, onde foi feita prisioneira pelo jovem Coração de Lobo (na verdade, ele mesmo um branco, que foi criado pelos índios).

Ela sofre todas as privações que, para uma mulher moderna, seriam inconcebíveis, absurdas, destruidoras. Acho que, se tal acontecesse a uma moça do século XXI, ela enlouqueceria... viver como prisioneira - não de mãos amarradas, mas ainda assim, sem ter outra opção exceto a de obedecer - trabalhar de sol a sol, colhendo ervas, ajudando uma velha índia a curtir peles, fazendo fogueira para cozer alimentos...

E depois, assumir sua peixão pelo guerreiro Coração de Lobo. Acho que todas as suas provações, essa foi a pior.

Um belo rapaz, mas imbuído de profundo orgulho por pertencer aos Algonquianos, sua tribo de adoção. E que jamais, em nenhuma hipótese, pensaria em deixar seus irmãos índios, mesmo por amor, um imenso e desesperado amor, por uma mulher branca.

Aqui está um romance forte, onde a superação humana, as decisões difíceis e os dilemas são uma constante.



E onde, finalmente, o amor pode dar certo... Para todas as leitoras românticas, o livro vale muito a pena. Até os homens podem lê-lo - por que não? - já que o livro retrata fielmente, a vida dura dos selvagens norte-americanos pouco antes da sua quase extinção pelos brancos. 

Um livro que mostra - como poucos romances desse naipe - muito da realidade daquela época, sem maquiagem romântica, sem meias-verdades ou cores primaveris e delicadas. Era uma vida dura a dos antigos colonos ingleses e/ou descendentes, mas a vida dos indígenas era ainda mais dura, e o preconceito racial imperava: Tanto na Inglaterra toda-poderosa, como nas suas colônias americanas. Pior do que no Brasil colonial, em que o branco português já de cara encantou-se com as indígenas e com o modo de vida selvagem e natural de ser... Temos exemplos incríveis na história do "Caramuru", Diogo Álvares Correia e suas duas apaixonadas, Moema e Paraguaçu.

Nos Estados Unidos coloniais, entretanto, a situação não era assim, de tanta liberdade. O branco que se encantasse com uma índia teria de renunciar à sua vida "civilizada", sendo menosprezado e ignorado pelo resto da sua família branca e pelos brancos em geral. Pior ainda se uma moça branca se apaixonasse por um índio - coisa raríssima, dada a gravidade do delito.

Este belo romance mostra uma situação dessas e todas as provações por que Clarissa passou, até sentir que sua escolha era aquela, custasse o que custasse... Lindo.

Um livro que mostra que, à parte preconceitos inúteis, todos os povos são iguais, no coração e na alma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente! Os bons comentários são os alimentos dos blogs...