20/11/2013

Janet Dailey - A Carícia do Vento


Uma mulher pode realmente se apaixonar (e amar) seu agressor e/ou seu sequestrador?


Um ódio transformado em paixão arrebatadora é a tônica deste romance previsível, porém fascinante, sobre a história de uma bela milionária americana que se envolve com um líder de guerrilheiros no México.

O QUE ACHEI:
A maioria das resenhas (encontradas no Skoob, por exemplo) são favoráveis a esse livro... Quase todas as leitoras se encantaram com o ardente e ao mesmo tempo, frio, Ráfaga. Quase todas as leitoras parecem "enxergar" o personagem como uma pessoa real, um homem real e se referem a ele como se falassem de um ator famoso, um ídolo da música ou do esporte. É curioso ver como a visão feminina do mundo literário difere da masculina. Dificilmente um homem vai resenhar um livro falando do quanto "Luluzinha" era incrível, do quanto "Mariazinha" era "gostosa", "inesquecível", "tudo de bom", ou o quanto "Fulaninha" tinha o bumbum mais incrível deste mundo. Por quê? Bem, ouvi dizer que os homens são mais visuais do que auditivos ou imaginativos... Pode ser. Mas se você der a um homem a opção de escolher entre uma revista com fotos de mulheres reais e um livro com uma heroína (literária) famosa, é óbvio que eles vão preferir a revista... De certo modo, eu também sou mais como os homens nesse sentido. Ou seja, não consigo julgar um livro pelo quanto "me apaixonei" por seu (s) protagonista (s) ou o quanto o "mocinho da história" era lindo, sedutor, fortão, machão, tinha "pegada", era morenão, musculoso, etc. etc. etc... É tão fácil um autor criar um personagem, não é mesmo? É só ser imaginativo, criativo. Pensar um pouco, juntar no mesmo caldeirão a boa-pinta de um ator famoso, o charme de outro, a "pegada" de outro, o temperamento impetuoso de outro. E aí temos o Ráfaga.

Para mim, um livro e uma história tem que ter, se não qualidade literária, ao menos mexer um pouco com meus sentimentos e me fazer viajar: É o mínimo que se espera de um romance ou livro tipo best seller (puro entretenimento). Mas eu jamais ia "me apaixonar" por um "personagem". Pelo livro sim, não pelo personagem.

Essa foi uma leitura emocionante, em que eu vibrei, chorei, xinguei, me revoltei, mas também sorri, gargalhei e me apaixonei. Inesquecível. Assim é o Ráfaga! 
Trechinho de uma resenha de fãs do livro, no Skoob

Eu não posso dizer que a trama criada por Janet Dailey, autora best seller americana, seja ruim, para um romance meloso dos anos 70. Lembra muito alguns filmes da sessão da tarde em que eu, ainda adolescente, curtia demais. Aqueles filmes derivados de livros, como Love Story, Em Algum Lugar no Passado, Romeu e Julieta, e outros do gênero. Devo confessar que naquela época esses filmes românticos eram o sonho máximo de toda adolescente (ou mesmo meninotas pré-adolescentes). Eram tudo que havia de melhor, numa época em que não existiam computadores e internet, e só nos sobravam livros, revistas, cinema e tevê.
A história narrada em A Carícia do Vento não é nenhuma novidade hoje em dia, mesmo assim ela surpreende um pouco, já que traz um casal diametralmente oposto: Uma 'patricinha' mimada e rica apaixonando-se por um renegado, criminoso e procurado pela polícia. E que, ainda por cima, vivia numa espécie de "quilombo dos palmares" mexicano, num vilarejo primitivo e chefiando um bando de outros criminosos.

Não é novidade, mas fascina - principalmente as mulheres que, como eu disse, são bem mais imaginativas que os homens... E a história de amor de Sheila com o tal chefe criminoso é uma verdadeira "síndrome de Estocolmo" das mais fortes. E tem agressão na história (uma tal agressão que não é por querer, sabem como é? É do tipo "sem querer querendo", como dizia o personagem do Chaves, no seriadinho de mesmo nome). Aí temos: Uma mulher mimada, um homem fortão, bonitão, latin lover no melhor estilo, que às vezes se faz de duro, às vezes de apaixonado... Infelizmente porém, eu não gostei muito. Do livro, obviamente.

Uma trama cansativa, repetitiva. Um romance monótono, regado a algumas agressões, cenas de banditismo e ceninhas calientes estilo romance-anos-setenta. Homem e mulher que se amam e se odeiam. Uma hora por um motivo, depois por outro motivo. Uma hora ela o deseja, de repente já está com ganas de enforcá-lo e vice-versa. E essas cenas se arrastarão por quase toda a história!

O pior vem quase no final, quando um dos (verdadeiros) bandidos "se aproveitará" da infeliz mocinha e por aí afora (não quero colocar spoilers). Uma sucessão de beijos-e-tapas que nos deixa entediados até a morte.

O desfecho final então! É a chave de ouro. Um final digno de um romance como esse, e o leitor continuará a ver navios, sem saber que será feito de Sheila e do tal Ráfaga-sem-sobrenome... Terrível, entendiante, previsível e, ainda por cima, com um final abrupto e mal trabalhado - e que me perdoem as leitoras apaixonadas pelo livro, mas opinião é opinião...



3 comentários:

  1. Eu ameeeeeei esse romance, Jo! Nao concordo que é ruim,não. Achei o Ráfaga um homem pra ninguem botar defeito e ele gostava sinceramente da Sheila. Essa sim, era uma mimada. Janet Daylei se tornou minha autora favorita depois desse livro!
    Beijos,
    Rita.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Ritinha! Sei que 98% das leitoras vão discordar de minha resenha, hehehe. Mas eu ia preferir um "mocinho" menos agressivo... Não foi o fato de ele ser guerrilheiro e estar do lado dos "bandidos" - e nem todos os caras dali eram bandidos por opção e por coração. Alguns, como o Laredo, eram gente boa. Mas que ele foi cruel, em certos momentos, isso foi... E amor não combina com crueldade, né?
      Bjosss! :)

      Excluir
  2. Adorei seu ponto de vista sobre o Romance, realmente ele é uma descrição clássica da síndrome de Estocolmo e o final é de deixar muita gente chutando o pau da barraca, porém é impossível não pensar no jeito marcante de Ráfaga. A primeira vez que li este romance eu tinha 15 anos, fiquei extasiada com a apresentação do personagem, queria um Ráfaga para mim, anos mais tarde já com meus vinte e alguma coisa resolvi ler novamente, e a mesma impressão que tive aos quinze ainda se fazia presente. Decidi fazer terapia. Não podia aspirar encontrar um homem com o mesmo perfil,resolvi esquecer... O tempo realmente passou, e novamente peguei o livro para reler aos quarenta. Então amadurecida pelo tempo percebi que minha busca inconsciente havia sim, encontrado um homem com o mesmo perfil de meu personagem predileto. Existe uma mágica nas entrelinhas do enredo, pouquíssimas pessoas conseguem perceber a sutileza. Vou sempre amar este romance, mesmo com todas as controvérsias e exageros, mesmo com um final FDP, porque vamos combinar, a autora não finalizou o livro, ela colocou uma reticências sem conclusão, brincou com as palavras e depois sumiu. Com todos os defeitos, ainda assim peso que Ráfaga é inesquecível...

    ResponderExcluir

Comente! Os bons comentários são os alimentos dos blogs...