13/04/2013

Resenha - Sagas Vol. 1 - Espada e Magia

Sagas, volume 1 - Espada e Magia, é um pequeno livro de grandes histórias, noveletas com a riqueza de um romance. São quatro os Contadores de Histórias cuja qualidade dispensa apresentações: Cesar Alcázar, Duda Falcão, Georgette Silen e Rober Pinheiro.

A série Sagas, composta até agora de 3 livros, veio inspirada nos pulp-fictions dos anos 60 e 70. Lançado no final de 2010 pela recém criada Argonautas Editora, Espada e Magia é também inspirada nos quadrinhos "A Espada Selvagem de Conan", criados em 1974 e publicados no Brasil entre 1984 a 2001. E, ao se deparar pela primeira vez com a capa, é essa mesma impressão que se tem.

Meu Achismo:

O formato pocketbook, contendo 142 páginas, ficou compacto e elegante, podendo ser carregado tranquilamente na bolsa ou mesmo no bolso (como se propõe tal formato), sem atrapalhar em nada, para ser sacado a qualquer momento e lido nas conduções, filas ou enquanto espera por algum compromisso (e, nos dias de hoje, são esses lugares a nossa "sala de leitura", afinal). Com esse formatinho, até mesmo dentro do transporte público cheio, em pé, tá valendo.

Recebi o livro pelos Correios e assim que o retirei do envelope senti uma certa nostalgia ao ver a capa ao vivo. Não consumi Comics, mas suas capas povoavam as bancas de jornais na época em que eu vivia de Turma da Mônica e Disney. E foi a lembrança dessas bancas cheias de Comics diversas que vieram à mente naquele instante. Realmente, para essa geração atual de escritores, são os Quadrinhos e o Cinema suas grandes influências depois da Literatura propriamente dita.

A capa, densa e bela, foi desenhada por Nathan Milliner, quadrinista e ilustrador, e retrata o primeiro conto de Sagas 1 - Lágrimas do Anjo da Morte.

Lágrimas do Anjo da Morte
Cesar Alcázar

O conto tem uma beleza impressionante. Diante de um cenário tétrico de corpos dilacerados estendidos na areia da praia, em que ocorreu uma terrível batalha entre Vikings e mercenários contratados pelo rei local, Cesar Alcázar descreve a cena com certo lirismo que empresta suavidade aquilo que seria uma cena grotesca. O protagonista Anrath, O Cão Negro, é o único sobrevivente do massacre e é salvo pela criatura mais improvável a esse fim: a Banshee, uma anunciadora da morte no folclore irlandês.

A trama se passa na Irlanda do início do século 11. Diante da iminente invasão Viking a Eaglach, o traiçoeiro rei Domnall mac Ferchair contrata Anrath, guerreiro mercenário famoso por matar mais de cem homens na Batalha de Clontarf, para defender suas terras. O mercenário montou um pequeno exército com outros mercenários contratados por ele, mas todos pereceram juntamente com os invasores.

Salvo pela Banshee, esta revela a ele o plano sórdido de Domnall. Em troca, Anrath terá de ajudá-la a se livrar da maldição que a mantém presa ao mundo dos vivos. Começa aí uma pequena jornada em busca dos elementos que servirão de libertação e vingança contra o rei covarde. Bruxa, feiticeiros, Homens do Mar e até cristãos entram no caminho de Anrath em sua busca por reparação.

O que mais gostei nesse conto foi a subjetividade do protagonista, um guerreiro sanguinário que jamais conheceu outra coisa na vida do que matar para sobreviver, mas que além de não sentir exatamente orgulho naquilo que faz, sente o peso de cada vida que ceifa, fazendo dele um personagem intimamente rico e muito honrado, embora mercenário. O fim terminou manso e selvagem com o início =)

A Cidadela de Elan
Georgette Silen

Uma grande história de fantasia épica há nas entrelinhas do conto de Georgette Silen, que poderá ser lida em seu novo livro solo, "As Crônicas de Kira", a ser lançado pela Giz Editorial. Nesta noveleta, porém, se passa apenas um episódio, em que a protagonista deve recuperar um artefato muito precioso e perigoso, guardado na cidade dos ladrões, Elan. O ponto alto está na revelação ao leitor da ligação entre Kira e Baltazar, o Rei dos Ladrões, que, aliás, é um personagem que parece ter uma grande riqueza de história pessoal e realmente gostaria de ler mais sobre ele.

Há muita violência desnecessária e bombástica, bem ao estilo Comics, do qual não sou fã. A protagonista é perfeita demais, "complicada e perfeitinha", e há muitas frases que apenas floreiam o conto.

A Dama da Casa de Wassir
Rober Pinheiro

Este conto é um paralelo ao universo criado por Rober Pinheiro em seu livro "Lordes de Thargor, o Vale de Eldor". Apesar de muito ter "ouvido falar", ainda não li o livro, então ficou complicado entender o contexto das palavras próprias do universo do livro. Mas isso não atrapalha em nada a leitura se você resolver ignorá-las. São nomenclaturas, então não são decisivas à trama.

Uma guerra entre tribos durava já há muito tempo, consumindo recursos e sem nada resolver, restando ao Clã Shoar'ym estabelecer uma aliança com a Cidade-Império de Wassir En Nash. Porém, a única aliança que poderia se firmar ali era a do casamento, e Atha'ny, o protagonista, valoroso guerreiro da tribo, se vê na constrangedora situação de enfrentar provas e longos cerimoniais para se mostrar digno de receber Aysha como sua consorte, selando o pacto entre as duas nações. O jovem vence com maestria todas as provas que lhe foram impostas, mas Aysha tinha outra opinião sobre tal aliança.

A princesa, não concordando em ser usada como elo para alianças, cria uma situação em que envolverá Atha'ny e até ela própria na perigosa busca pelo "Olho de Saavish", artefato que está em posse de um poderoso feiticeiro, ao qual eles terão de tomar à força dentro do próprio covil do inimigo, custando um alto preço a todos, fazendo jus ao que Aysha propôs: "Primeiro Sacrifício". Entretanto, a tolice de Aysha custará muito mais a ela do que a todos os outros.

Neste conto, a nostalgia voltou, desta vez daqueles antigos filmes sobre as "1001 noites", povoados de magia, feiticeiros e muitas lutas pelas areias do deserto contra vilões ou criaturas fantásticas. Um épico medieval diferente ao costumeiro tolkiniano, que é repleto de paisagens verdejantes de florestas intocadas ou montanhas colossais, ou ainda de invernos tão terríveis que se tornam os verdadeiros inimigos de mocinhos e vilões. E, sim, deu muita vontade de conhecer Lordes de Thargor ;)

Sem Lembranças Daquele Inverno
Duda Falcão

Eu aprecio muito histórias com personagens "errados": anti-heróis, mocinhos imperfeitos, vilões sensatos e moralizados, enfim, personagens que não costumamos ver por aí, mas que trazem alguma identificação com o leitor. Afinal, todos somos mais ou menos anti-heróis, imperfeitos e possuímos alguma sensatez em meio a nossa insanidade diária.

Esta noveleta começa com "o servo de Gimedjin", um anão escravo e capacho de um bruxo poderoso que precisa dos serviços de Atreil, um assassino de aluguel. Bastou algumas linhas para criar simpatia pelo pequeno.E Atreil não fica atrás: o próprio anti-herói-anti-vilão, rs.

O serviço de Atreil era bastante simples: invadir a casa da ex-aprendiz de Gimedjin, o feiticeiro, e recuperar uma preciosa pedra que ele diz ter sido roubada pela garota. Serviço aceito, o mercenário parte para sua missão, mas até chegar ao tal artefato mágico, ele terá que enfrentar muitos obstáculos.

A ex-aprendiz, que se tornou uma poderosa feiticeira, tinha como principal manifestação de poder a manipulação e o controle de animais, então Atreil enfrentará desde lobos famintos até monstros metamorfoseados. Apesar de ele lutar magistralmente e vencer a todos, o final é totalmente surpreendente.

O conto me lembrou um game, especialmente tipo RPG, em que o herói tem que ir vencendo obstáculos cada vez mais difíceis, subindo de fase até chegar ao prêmio, que deverá conseguir enfrentando o mestre final, que, neste caso, se trata da feiticeira. Achei muito divertido. E algo que percebo nas obras de Duda Falcão é um humor sarcástico velado, como alguém que leva a sério a sua brincadeira.

"Sem lembranças daquele inverno" é um conto paralelo à obra "Hylana nas Terras de Lhu", uma web novela publicada no blog de mesmo nome entre 2008 e 2010, que bem poderia ganhar sua versão impressa...

Para quem ficou interessado em conhecer e adquirir Sagas 1 - Espada e Magia, acesse o site da Editora Argonautas e informe-se. Há uma super promoção para quem quiser adquirir os 3 volumes da série Sagas. Os volumes 2 e 3 também serão resenhados pelo Alternativos, mas você não precisa esperar por meu achismo para se decidir a comprar, não é?

Pat.

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