02/02/2013

Resenha - Beijos & Sombras - Antologia de Romance Sobrenatural

Fabi D. Diamante
Jossi Borges
Maya Blannco
Mia Hertz
Snake Eye's

*
O amor sobrenatural existe? Há quem acredite que sim...

Nestes contos inéditos de novos autores, essa é a questão. O amor romântico e puro da adolescente...

O amor que transcende os limites do real e do concreto, do normal e do aceitável, quando uma mulher passa a receber a proteção e o carinho de um ente supostamente mitológico e lendário...

O amor que também surge da presença de um "espírito natalino" - supostamente, apenas uma metáfora usada no mês de dezembro...

E o amor misturado ao horror, quando uma moça é seduzida por um predador diabólico?

São muitas as abordagens sobre o amor sobrenatural nestes contos, como por exemplo, a dos seres "Encantados" - parte humanos e parte animais... Tais seres podem amar realmente um ser humano?

A fantasia mágica de um homem que ultrapassa as fronteiras do tempo, para realizar um trabalho...

Essas são algumas das questões que são abordadas neste livro de contos fascinantes, que você não quererá largar até ler a última linha...

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O Uivo
Mia Hertz

“Foi quando senti que ele pegou-me pelos cabelos, impedindo a minha fuga. Com a outra mão levantou-me.
Olhando os seus olhos negros, procurei detectar alguma fragilidade que pudesse ser usada em meu favor, no entanto, a única coisa que vi foi a fome, a violência e a frieza estampada neles. Eu estava perdida!

- Solte-me, animal!

Gritando enquanto esperneava, procurei me libertar das suas garras; no entanto, meu esforço foi em vão, pois ele era mais forte e mais alto que eu, na realidade era sobrenaturalmente enorme.

Segurando-me mais forte em seus braços, levantou a sua cabeça em direção da lua cheia e uivou, o que me aterrorizou ainda mais.”

Raptores
Snake Eye’s
*
“Não acredito mais em destino do que acredito em acasos, sr. Uchoa. Destino não passa de uma desculpa esfarrapada inventada pelo homem para amenizar a sua falência ou justificar suas glórias. O que existem são conseqüências e reações.
 Interessante o seu ponto de vista, Luzmarina. Denota um espírito sagaz e uma mente analítica e etnicamente racional...
Uchoa já havia se levantado do tronco e andava lentamente até à mulher sem que ela percebesse o movimento que o predador fazia. Quando se deu conta disso, ele estava a menos de um metro dela, ajoelhando-se à sua frente.
Estava muito difícil para Uchoa reprimir os seus instintos e os seus desejos. Conseguira realizar o que havia almejado por todos os últimos meses, que era poder simplesmente conversar com ela, ouvir a sua voz, as suas idéias. Mas ele conseguira mais que isso. Vê-la sob a claridade do dia e tão próxima a ele, com as fagulhas de sol vencendo os obstáculos das folhagens e iluminando a pele bronzeada dela, os cabelos sedosos e brilhantes da cor da castanha portuguesa, que desciam em cachos até os ombros e, principalmente, aqueles enormes olhos amendoados, da mesma cor dos cabelos, porém com círculos raiados de dourado, quase fazia parar a sua respiração. “

O Calor do Outono
Fabiana Diamante
*
“Desistindo de tentar fazer algo naquela tarde, fechei o caderno e o guardei na mochila ao meu lado. Fiquei ali apenas apreciando a paisagem, tentando me convencer que tudo estava bem, tudo iria se resolver e mantinha um pequeno sorriso de satisfação para que ninguém percebesse que eu estava triste. Mas apesar de minha mente tentar me consolar, meu coração lembrava uma e outra vez a nossa ultima briga dias atrás, quando eu disse coisas que não queria dizer e você fez o mesmo. Lembrei quando disse adeus milhares de vez depois que você se foi e antes que eu pudesse reagir e te trazer de volta, mas já era tarde demais.
Senti vontade novamente de chorar, mas apartei as lágrimas e me foquei na beira do lago que estava à minha frente, mesmo de longe se via alguns barcos a remo que se deslizavam pela água. Isso só me fez lembrar a vez em que estávamos aqui e você me levou até o meio do lago para me dar o presente de aniversário. “

O Chamado da Floresta
Jossi Borges
*
"Senti outro arrepio, um misto de medo e outras curiosas sensações, que começaram por uma contração no estômago e depois desceram ao longo de meu corpo, em entorpecentes sensações de calor e frio. Sensações que eu não queria explicar, pois me deixaram assustada e excitada, ao mesmo tempo.
Quem era aquele homem? Quando eu já o julgava um caboclo ou indígena da região, que estava tentando pregar uma peça nos habitantes das redondezas, notei o halo de luz diáfana que o envolvia, como se ele mesmo emanasse aquelas reverberações cintilantes. Não consegui entender o que era, nem o que significava... Mas notei que ele continuava me olhando, e os assobios tinham cessado. Era como se fosse um chamado.
Então, ele moveu-se entre as sombras, apenas alguns passos e abriu o portão, saindo para a estradinha. Eu notei que a luminosidade continuava a envolvê-lo e quase, quase... abri a janela para chamá-lo de volta. Era estranho. Eu me sentia estranha. Como aquilo podia acontecer a mim? Logo a mim, tão sensata e precavida? Por que sentira desejo de ver o homem mais de perto? Sem ao menos saber de quem – ou de que – se tratava?
Ele, finalmente, com um último olhar para mim, desapareceu entre as sombras das árvores. A luminosidade que o acompanhava foi se diluindo, pouco a pouco... até não restar nada mais além do luar suave e leitoso sobre os campos e pinheirais.
Eu jamais esqueci aquele incidente e nem contei para ninguém. Na certa, iam rir de mim, e dizer que eu, finalmente, passara a acreditar em assombrações..."

Entre outros contos...

(Texto de Jossi Borges)

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