24/01/2013

Julia Crouch - Cuco


O primeiro erro foi convidá-la para entrar... - Julia Crouch

Polly é a mais antiga amiga de Rose. Então quando ela liga para dar a notícia que seu marido morreu, Rose não pensa duas vezes ao convidá-la para ficar em sua casa. Ela faria qualquer coisa pela amiga; sempre foi assim. Polly sempre foi singular — uma das qualidades que Rose mais admirava nela — e desde o momento em que ela e seus dois filhos chegaram na porta de Rose, fica óbvio que ela não é uma típica viúva. Mas quanto mais Polly fica na casa, mais Rose pensa o quanto a conhece. Ela não consegue parar de pensar, também, se sua presença tem algo a ver com o fato de Rose estar perdendo o controle de sua família e sua casa. Enquanto o mundo de Rose é meticulosamente destruído, uma coisa fica clara: tirar Polly da casa está cada vez mais difícil.  
O QUE ACHEI:
Um livro imoral!
Como descrever o que li e senti? Como explicar a sensação de ter sido meio que... enganada, ao chegar no final do livro e perceber que nada, absolutamente nada, foi como devia ser... ou pelo menos, como 90% dos leitores desejavam? É claro que nem sempre, os melhores livros terminam como os leitores querem. Grandes clássicos universais tem em comum com esse livro de Julia Crouch justamente isso: um enredo e um final nada "gostosinho" de se ler. Mas em se tratando de literatura popular, de livro 'descartável' como a maioria desses bestsellerzinhos são, acho que os autores deviam ter um mínimo de respeito com a opinião popular e tentar agradar um pouco mais, mesmo que para isso tenham de cair nos velhos lugares-comuns de sempre.

E para um livro de suspense, com enredo estilo 'sessão de sábado', o final foi bizarro, para não dizer imoral.
 Desde o início as personagens de Rose, Polly e Gareth me irritaram profundamente. Rose, uma mulher que aparentava ser honesta e "gente boa", comoeçou a mostrar as unhas de loba aos poucos, à medida que a narrativa ia transcorrendo.  

Gareth? Um pai e marido omisso, cuja personalidade vai decaindo também, com o passar do tempo, até se transformar num homem quase bestial, cego, ridículo em sua necessidade de transformar a esposa na vilã da história.

Polly? Desnecessário falar dessa: Parece que todos os vícios, maldades e falhas de caráter se acumularam nela. É cruel, maldosa, traiçoeira, mentirosa, insensível e brutalmente viciada em sexo, drogas e bebida. Além de feia, porque... façam-me o favor: Magra como uma vara, cheia de cicatrizes? Que tipo de "charme" os homens viam nela?



Enfim, um livro trágico e absurdo. Quando você, leitor, começar a sentir certa empatia pela sonsíssima Rose, vai logo mudar de ideia, pois ela logo vai mostrar que não é o que parece. Cheia de segredos do passado e pequenas omissões, sua vida passada (e até presente) não é nenhum exemplo de virtude.

Um final que não se espera em nenhum filme ou livro de suspense decente. Imoral em tudo, com exceção do amor que Rose parece sentir pelos filhos dela (e até pelos de Polly). 

 
Em todo caso, é uma leitura que mexe com nossos nervos e de certo modo, isso é estimulante. Se você quer se arriscar a ficar irritado e roer as unhas, torcendo por um final que, talvez, não seja o que você deseja, vá em frente! Uma coisa é certa: Você não vai se entediar...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente! Os bons comentários são os alimentos dos blogs...