24/12/2012

Christian Jacq - O Caso Tutancâmon


Autor: Christian Jacq
Gênero: Romance Histórico
Editora: Bertrand Brasil, 2009
   

Cairo, 1951. Faruk, um tirano cruel e corrupto, reina num Egito pós-guerra conturbado e alvo dos desejos de França e Inglaterra. É nesta época que Mark Wilder desembarca no país após convocação por carta anônima:

"Quer saber quem você é realmente? Esteja no Cairo dentro de quinze dias (...). Nós o contataremos. Assim terá oportunidade de saber. Se não, continuará para sempre um desconhecido para si mesmo. E a sua vida não terá sido mais do que uma ilusão e uma enganação."

Que segredo pode esconder a tumba de um famoso faraó?

O QUE ACHEI:
Mais do que um romance histórico, o livro que reconta o "caso Tutancâmon" (outro livro de Christian Jacq, que parece fascinado por essa história) fala de uma trama ficcional, onde o arqueólogo Howard Carter, além de ter feito uma das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos, ainda tem uma ligação espiritual-mística-sobrenatural com uma antiga ordem secreta. Em suma, o que me chamou a atenção nesse livro foi justamente isso: O mistério e os segredos que envolveram Howard Carter, a famosa maldição de Tutancâmon e as tramóias que as grandes personalidades da época teceram em torno disso. Realidade? Ilusão? Folclore? Lendas de um povo iletrado e supersticioso? Mistificação?


Entretanto, a história mesmo, é a de seu 'filho' - um filho que não sabia quem fora seu pai e muito menos, que deveria sucedê-lo, numa luta de bem contra mal, de forças de luz contra forças de trevas.

Ambientado no Egito governado pelo gordo e safado Rei Faruk, o livro começa muito bem, com uma aventura do advogado americano Mark Wilder, na qual ele vai conhecer um monge misterioso e uma bela moça, pessoas misteriosas que parecem segui-lo, fará amizades com pessoas dos altos escalões da política egípcia (sem nem saber como ou por quê) e principalmente, ficará sabendo de um dos maiores segredos da arqueologia egípcia: uma série de papiros perdidos, que podem revelar uma grande 'verdade histórica'. O autor deixa isso implícito, um segredo que poderia abalar a humanidade...

Porém... não foi bem assim. Até uma certa altura, a gente fica esperando grandes reviravoltas, grandes mistérios e aventuras pitorescas,  algo tipo "Dan Brown" pelo menos. Algo que nos tire o fôlego e nos faça roer as unhas, numa ansiedade louca para que o tal "segredo" se revele e os terríveis monstros "do lado malvado" apareçam, como numa cena de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida...

 
E... nada. Nada acontece. Depois de alguma embromação, Christian Jacq nos faz até ficar com sono e esquecer a leitura. Passei uma boa parte da 'leitura' interessada em outros livros, e só a retomei mesmo para cumprir meu dever, ou melhor, um pacto que fiz comigo mesma de jamais deixar um livro pela metade... embora já tenha feito isso, com outros livros insuportáveis, intragáveis. Bem, somos humanos. Quando uma coisa se torna intragável, o jeito é largar mesmo.

Esse livro, porém, tinha alguns elementos que eu gosto, como o clima de mistério (um mistério "chôcho", digamos assim), o mundo do antigo Egito, a vida recontada de Howard Carter (figura que admiro), segredos. E fui em frente, um pouco chateada com o ritmo sem graça que, de repete, a narrativa toma.

Jacq foi infeliz ao misturar política, espionagem e guerrilha com mistério, suspense e sobrenatural. Praticamente o livro inteiro ele nos presenteia com espiões, tanto americanos (CIA), como os do rei Faruk. E esse rei? Nem precisaria aparecer na história, tenha dó! Isso tudo foi para encher linguiça? Com certeza. Para enrolar o leitor e aumentar o número de páginas. Com certeza. Uma coisa que não tinha nada a ver com a outra! E o grande "mistério"? E o grande "segredo"?

 


Uma decepção. Esse livro foi uma grande decepção, apesar dos grandes conhecimentos históricos e a grande capacidade desse autor em narrar a vida antiga do Egito. Uma pena.

Nota? Cinco e olha lá.






2 comentários:

  1. realmente se espera sempre mais adrenalina, mas o livro é bom!!
    não achei ele, de maneira nenhuma, uma decepção, pois a historia é ambientada em um período crucial para a historia do Egito moderno!!! sem esquecer as passagens da filosofia egípcia que Jacq passa em muitos trechos do livro!!! para se entender a mensagem de um livro é preciso analisar por diferentes pontos de vista!!! lembre-se disso!!

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  2. Ramesses, há pontos de vista diversos, como você mesmo disse.
    Sob 'o meu ponto de vista', o livro é ruim. É claro, essa é apenas a minha opinião de leitora. Como já li muitos livros de espionagem, conspiração, tramas internacionais, etc., minha medida de comparação é com esses livros, que li e considerei superiores nesse ponto: o da aventura.
    Não gosto de política, tampouco de filosofia, e não quis analisar outros "pontos de vista" pelos quais não tenho interesse. E acho que cada um tem o direito de expressar sua opinião, seja ela favorável ao livro resenhado ou não.

    Não acho absolutamente interessante uma resenha do tipo que se vê aos montes por aí, em blogs patrocinados por grandes editoras, e em que a leitora (blogueira) se sente na obrigação de elogiar a obra. Não tenho compromisso com ninguém, nem com editora, nem com autores patrocinadores e mesmo que tivesse, não deixaria de expressar minha opinião com sinceridade absoluta.

    Portanto, não gostei do livro. Ele tem seus méritos, isso tem: Para quem se interessar por períodos históricos, p. ex., história da arte egípcia (que aprecio, embora eu não mencione isso na resenha) ou história moderna. Mas como li apenas para distração, sem querer envolver-me demais com outras temáticas, não gostei. Simples assim.

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