26/12/2012

Agatha Christie - Morte na Mesopotâmia




Para a enfermeira Amy Leatheran, sua paciente era um caso muito estranho. Louise, casada com um famoso arqueólogo, sofria de angústia nervosa, segundo seu marido. Suas fantasias eram vívidas e macabras: uma mão decepada, um rosto cadavérico contra a vidraça... Mas de que ou de quem ela teria tanto medo? Perto do marido e de velhos colegas e amigos, ela estaria a salvo. Entretanto, a formalidade do grupo não parecia natural: pairava no ar uma tensão, um certo desassossego. Algo muito sinistro estava acontecendo. E tinha a ver com... assassinato. Mrs. Leidner é assassinada. Fora algo muito estranho pois ninguém vira pessoas circularem no pátio do local que dava acesso a cena do crime. Quem teria feito tal monstruosidade? Só uma pessoa poderia responder: Hercule Poirot.

O QUE ACHEI:
Antigamente, eu devorava os livros de Agatha C. com a maior naturalidade. Hoje em dia, devo confessar, alguns inícios me entediam profundamente, se eu for comparar o estilo dessa autora com outros livros policiais/suspense mais modernos. Naturalmente, para a época em que foram escritos, os livros eram o máximo, quer em estilo, quer em enredo, quer em originalidade. Já não se pode dizer isso agora, com a mesma frequência... Apesar disso, os finais são sempre surpreendentes, eletrizantes e reservam surpresas gigantescas.

Esse romance, Morte na Mesopotâmia, tem de fato, um início para lá de chato, maçante, cansativo. Para o bom leitor e aficionado em suspenses policiais tradicionais (aqueles cujo bandido nunca é quem se supõe), porém, o livro pode ser interessantíssimo.


A história gira em torno de uma expedição arqueológica no Iraque, cujos acontecimentos e crimes serão narrados em primeira pessoa por uma enfermeira, Amy Leatheran, contratada pelo chefe da expedição, Dr. Leidner. Na verdade, Amy vai para lá a fim de prestar seus cuidados de enfeirmeira experiente à sra. Louise Leidner que, segundo o marido (e outros personagens fofoqueiros) está sofrendo de inúmeros achaques nervosos, tendo visões ou delírios, anda assustada à toa, etc.

Naturalmente, ao chegar ao Iraque e conhecer a linda e charmosa sra. Leidner, Amy também vai conhecer mais uma turma de outros personagens, todos interessantíssimos do ponto de vista investigativo-psicológico...



Quando o clima começa a ficar mais tenso, os piores temores de Amy se concretizam, crime, assassinato, terror intenso... Muitas perguntas, algumas histórias que não se coadunam com as melhores hipóteses, investigações. E Poirot entra em cena.

Como sempre, a chegada do curioso e cômico homenzinho careca, com grandes bigodes e ar cavalheiresco e educadíssimo causará frisson entre os componentes da expedição. Amy vai achá-lo muito engraçado, a princípio, mas começará a respeitá-lo mais à medida que nota sua sagacidade e inteligência brilhante.

Da metade para o fim, a trama prende mais o leitor.

Mais ação, mais suspense. Personagens que odiavam a sra. Leidner - o protótipo da mulher linda, conquistadora de todos os corações masculinos, porém odiada pelas demais mulheres - pequenas pistas, indícios estranhos. Todos são suspeitos, mas apenas um é o culpado.



Finalmente, Poirot vai abrir o jogo e revelar o culpado. Um final brilhante, como sempre. Tanto para M. Poirot e seu cérebro privilegiado, quanto para a engenhosa Dama do Crime, Agatha Christie.

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