07/11/2012

Frances H. Burnett - O jardim secreto



Frances H. Burnett e seus cativantes personagens infantis

O Jardim Secreto
A clássica história de Mary, uma órfã de 10 anos que vai viver com o tio em um casarão na Inglaterra. Lá encontra Dickon, um menino que conversa com as plantas e os animais, e Colin, um pequeno lorde, doente e isolado em um dos quartos. A amizade das crianças e o contato com a natureza operam uma surpreendente tranformação em todos da casa.

Uma das edições mais conhecidas é da Editora 34.

Editora: Dracaena
Gênero: InfantoJuvenil, Ficção
Nº de páginas: 312
Dimensão: 14x21

O QUE ACHEI: Mais um livro de Frances H. Burnett lindooo. As histórias infantis desta autora sempre têm o seu lado adulto, ou melhor,  a sua parcela de ensinamento moral e/ou espiritual que pode influenciar a vida, tanto de crianças como de adultos.

Eu já tinha lido 'A Princesinha' e 'O Pequeno Lorde', ambos me emocionaram da maneira mais doce e terna possível: Li o primeiro aos doze anos, o segundo agora, adulta e mãe de um adolescente... e a emoção continua a mesma. Acho que os livros infanto-juvenis de hoje (escritos hoje em dia) não tem a metado das lindas metáforas e "propagandas subliminares positivas" que os escritos naquela época (meados do século XIX), principalmente por autores como Dickens, Frances H. Burnett, Katherine Paterson, Edith Nesbit, etc.

Aqui, Frances conta uma história de "uma princesinha e de um pequeno lorde", só que ao contrário dos personagens dos dois livros anteriores (A Princesinha e O Pequeno Lorde). A jovem Mary nada tem da doçura e da beleza de Sara Crewe, a 'princesinha', e Colin não é nada  gentil, como o personagem de ' O Pequeno Lorde'.
 

A menina é descrita como chatinha, arrogante e negligente, porque foi criada não pelos pais (que pouco se lixavam para ela), mas pelos criados indianos. É curioso ler a descrição de sua personalidade e sua aparência: "uma menina feia e de mau gênio", que não gostava de ninguém e de quem ninguém gostava... Que triste, não é? Mas no livro a personagem, por tanto tempo posta de lado pelos pais, não se apercebia de sua triste situação, achando que era normal "que ninguém gostasse dela". E que ela não gostasse de ninguém, igualmente...
"- É uma criança vulgar - disse a Srª Crawford. - E sua mãe foi uma mulher tão bonita! E tinha boas maneiras, enquanto Mary é tão grosseira! As crianças a chamam de Bronquinha e, embora isso seja mal feito, não se pode negar que tenham razão.
- Quem sabe se a mãe dela tivesse sido mais dedicada à filha, Mary poderia ter aprendido boas maneiras. É muito triste, agora que sua mãe se foi, lembrar que muita gente nunca soube sequer que ela tinha uma filha."
Após a morte dos pais, a pequena Mary foi levada à Inglaterra, para morar com um tio, Archibald Craven. Um homem que não tinha boa reputação, pelo que ela pode ouvir de certos comentários: solitário, frio triste, que vivia numa mansão igualmente fria e triste...

E ela foi para lá sem nenhuma expectativa, imaginando apenas o que podia fazer naquela mansão imensa e sem graça para passar o tempo. Como nunca aprendera a amar ninguém, nem os pais (pois nunca soube o que era amor), ela mesma se estranhou, quando começou a simpatizar com a criada Marta, a única pessoa simpática daquele lugar...

Foi por Marta que ela soube da existência do 'jardim secreto', um lugar escondido nos fundos da propriedade, que já fora lindíssimo um dia (quando a esposa do Sr. Craven era viva), mas que ele mandara fechar para sempre, depois que ela morreu.

Assim começa o mistério do jardim secreto, o desejo que nasceu no coração de Mary de conhecê-lo. E ela começou com a determinação de que ia conhecê-lo, mesmo que fosse contra as regras da casa.

A história vai narrar com uma singeleza ímpar o encontro de Mary com seu amiguinho Dickon, um menino pobre que sabia conquistar os bichinhos da charneca com seu espírito bondoso, e mais tarde, seu encontro com o 'pequeno senhor' Craven, Colin. Este era um menino mimado e ao mesmo tempo, negligenciado. O pai dava ordens aos criados para cuidarem dele o melhor possível, porém ele mesmo evitava se aproximar do filho: Este lhe lembrava a esposa, que morrera ao dar à luz a Colin.

É uma história repleta de beleza e simplicidade, escrita numa linguagem acessível para as crianças, mas que também encanta os adultos.

O desfecho é muito bonito, deixando sempre a mensagem - sábia e importantíssima - de que toda  criança precisa, não apenas de mimos e bens materiais, mas de atenção verdadeira e amor. Foi através de Marta, uma criada humilde e sua mãe - uma senhora gentil e generosa, que sempre dava bons conselhos a todos - que Mary foi tomando consciência de quem era, de como podia amar de verdade as pessoas, mesmo aquelas de mau gênio (como Colin e ela mesma).

 
O 'jardim secreto' não deixa de ser uma fábula do 'coração fechado'. O jardim secreto de Mary representava, na história, o coração ferido e fechado do sr. Craven, que não queria se aproximar do filho... o coraçãozinho magoado de Colin, que não sabia o que era amor de mãe ou de pai... e o próprio coração de Mary, uma menina da qual ninguém gostava, mas que aprendeu a amar e a fazer-se amada.

Linda história! O filme, de 1993, tem algumas diferenças, mas é igualmente bonitinho e comovente. Para todas as idades e todas as épocas, "O Jardim Secreto" é um clássico infantil que não devia faltar nas estantes de nenhuma casa. ;)

3 comentários:

  1. Olá, Toô seguindo teu Blog lá do ORKUT...segue o meu tbm http://memorialdaatrizmariapadilha.blogspot.com.br/
    OK?

    att!

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  2. Olá!
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    E boa sorte \o/

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  3. Tenho tanto o livro quanto o dvd... ambos são maravilhosos!

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