03/09/2012

Dorothy Cork - O poder da renúncia

Dorothy Cork - O poder da renúncia
Bianca 7

 Após o rompimento com Paul, agora envolvido com sua prima Jan, Ellis reformulouos seus planos de vida: deixou a casa do tio, onde morava, e foi trabalhar para Steve Gascoyne, ex-noivo de Jan, um fazendeiro que vivia na Austrália. Já que ambos enfrentavam uma separação, Ellis imaginou que eles poderiam se ajudar mutuamente. Os trabalhos na fazenda aproximaram os dois e Ellis se surpreendeu um dia, apaixonada por Steve. Mas ele, entretanto, não era fácil, pois não só desconfiava das mulheres, como aprendera a desprezá-las. Que chances poderia ter Ellis de se casar e ser feliz?

O QUE ACHEI:
Comparando-se esse enredo com os escritos por Anne Weale, Anne Mather e Violet Winspear (autoras da época, que eu conheço), Dorothy Cork é muito, muito mais ousada nas cenas "hot". Enquanto Anne Weale cria heroínas tímidas, que enrubescem à simples menção de "beijo" ou "amor" e o máximo que fazem é trocar um beijinho nos lábios dos seus namorados na última cena da história, Dorothy Cork criou uma heroína mais despojada e desinibida, que já no primeiro encontro com o "mocinho" se deixou beijar e trocou carícias sensuais. Bem, como para mim isso é indiferente (o enredo, os conflitos e o suspense são mais importantes), eu considerei esse romance praticamente iguais aos outros.

  Ellis é, como quase todas as mocinhas desses primeiros romances (tipicamente anos 60 e 70), solitária e órfã. Vivendo com um tio egoísta e uma prima (Jan) mais egoísta ainda, ela passa por uma fase desesperadamente triste de sua vida: Perdeu o quase-noivo para Jan, uma mulher mais atirada, mais glamurosa e mais elegante que ela.

Com a ajuda de um amigo da família, um senhor que é como pai para ela, ela adquire novas roupas e se propõe a trabalhar como "governanta" (sei lá o que os ingleses queriam dizer exatamente com isso) na fazenda do namorado desprezado de Jan, Steve. Entretanto, a fazenda é de criação de carneiros, e na época da tosquia, o fazendeiro contrata muitos peões para o trabalho. O que se reflete na quantidade de trabalho doméstico, pois a "governanta-cozinheira-faxineira" terá de fazer almoço e jantar para toda aquela turma. 
 
 Totalmente iludida, achando-se capaz de arcar com tanto trabalho, Ellis se encontra com Steve, que lhe faz uma proposta indecorosa: não a quer como 'governanta', mas que ela faça "o papel de sua noiva" e também algo entre namorada e amante. Ela recusa, naturalmente.

A base da história é essa, e em cima disso, a autora constroi uma história de encontros e desencontros, de amor, ódio, raivas e ressentimentos. Também fala um pouco da velha rixa entre parentes, citando o irmão e a cunhada de Steve que vivem com ele na fazenda. Explica como é a região australiana onde eles moram, descrevendo as praias, as cidadezinhas, as pessoas. E só por isso, a leitura já é válida: Dá muita vontade de conhecer esses lugares todos! Esses romances são, na verdade, uma volta ao mundo através da leitura.

Finalmente, a maldosa Jan entrará de novo na história, e é  quase irreal a paciência e a quase-burrice de Ellis diante da maldade da outra. Sinceramente, o trecho em que Jan volta à fazenda para 'reatar' com Steve é de deixar qualquer leitora à beira de um ataque de nervos.
 
 
 Desaforos absurdos à parte, a história é legal. Vale a leitura, é um bom entretenimento, embora eu ainda preferisse que, quando tudo ficasse esclarecido, a sonsa e maligna Jan tivesse levado uma sova de Ellis ou pelo menos, sido atropelada por uma manada de carneiros furiosos...

:)

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