02/07/2012

Barbara Delinsky - Ousadia de Verão



O que acontece logo após o momento que mudará sua vida para sempre?

É uma indagação que assombra Julia Bexhtel, Noah Prine e Kim Colella, os únicos sobreviventes de um terrível acidente de barco na costa do Maine, em que nove pessoas morreram.
Julia, de 40 anos, esposa e mãe, sempre seguiu o caminho da submissão. Considerada por uma família controladora e um marido cada dia mais distante como “leal” e “obediente”, ela compreende, após ter quase perdido a vida, que há mais dentro de si – e no mundo ao seu redor – do que jamais imaginara.
Sentindo-se estranhamente ligada a Noah, o pescador de lagosta divorciado e caladão que ajudou a salvar sua vida, e a Kim, uma jovem de 21 anos, cujo papel no acidente e mudez subseqüente são um mistério, Julia começa a explorar as peculiares possibilidades oferecidas pela tranqüila ilha Big Sawyer. De repente, coisas que antes pareciam fundamentais perdem o significado, e outras que pareciam irrelevantes adquirem completamente uma nova importância.

A cada momento que passa, a cada nova descoberta, Julia fica mais convencida de que após ter enfrentado a morte, precisa aproveitar mais a vida.

O QUE ACHEI:

Um livro bastante longo, que de início, parece um pouco repetitivo e mais ou menos cansativo, quando Julia é "jogada" na ilhazinha, depois do naufrágio.

Confesso que tive um pouco de embaraço e me enrolei um pouco na leitura, mas da metade para o fim, o livro até que é interessante. É profundo, mais um romance psicológico, abordando as várias facetas da personalidade dos diversos personagens envolvidos:

Julia, a mulher, mãe e filha sempre subserviente, submissa, passiva. A mulher que sempre deixava seus próprios desejos e vontades de lado, para servir, ajudar, agradar ao marido, um homem que a trai inúmeras vezes, com inúmeras amantes.

 White Widow by Gerry-And-Me

Noah, um pescador de lagostas, homem calado, pouco comunicativo. Ele é divorciado e vive longe da ex-mulher e do filho, a ponto de este último ter desenvolvido certa aversão por ele. Compreensível, pois Noah, embora amasse o garoto, não era expansivo nem sabia como conviver com um adolescente nova-iorquino, um jovem que ele julgava arrogante e muito diferente dele. Ele vai conhecer Julia, porém, e ambos, depois de descobrirem novos horizontes em suas próprias vidas e novos interesses, também descobrirão um ao outro.

Kim Colella é um personagem estranho, moça arredia, que ficou muda depois do acidente. Não foi um personagem que chegou a me cativar, mas tudo bem. Julia vai se aproximar de Kim, assim como se aproximou de Noah, e todos irão se ajudar mutuamente.

Gostei da metade para o fim, que é onde Julia começa a mudar seu temperamento hesitante e frágil. Quando "nasce", a nova Julia será uma mulher muito mais forte, que tirou uma lição importante do acidente. Sabe que nossa vida é breve, frágil, e que ela deveria aproveitá-la melhor. Começa a romper os laços que a mantinham escrava de uma vida insípida, uma vida na qual ela representava apenas a sombra apagada do marido.


 E finalmente, Julia vai mostrar-se exuberante de vida, apaixonada pela ilha com suas magníficas paisagens, pelos moradores da ilha, pela pesca da lagosta e por si mesma. Ah, claro... e pelo bonito e misterioso Noah.

O final é bastante interessante e o livro daria um romance de tirar o fôlego, se a autora não se prolongasse demasiadamente em ponderações filosóficas e psicológicas. Isso encurta e esfria os momentos mais comoventes da história.

Ainda assim, é uma boa leitura para quem gosta de romances com dramas familiares e reviravoltas. Eu daria 3 estrelas!


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