16/07/2012

Alexandre Dumas Filho - A Dama das Camélias

 A DAMA DAS CAMÉLIAS, clássico do romantismo francês

Marguerite Gautier, famosa cortesã parisiense, é o centro dessa história. Desejada por muitos homens, só a um, porém, jurou amar eternamente... E assim aconteceu.
Alexandre Dumas Filho escreveu esse romance, o protótipo do romance de amor do século XIX, baseado em um relacionamento que ele próprio tivera, quando jovem, com uma "cortesã" francesa.

O QUE ACHEI: 
Interessante as grandes diferenças entre os romances de amor franceses, do século XIX e os ingleses. Nos primeiros, há uma ponta dura de realismo e da infalibilidade do destino, seja este bom ou mau. E geralmente, os romances franceses se passam nas cidades, há poucos elementos de suspense ou do toque "gótico", por exemplo, que os ingleses tanto gostam de dar aos seus trabalhos.

Já os segundos, por mais realista e duro que sejam seus romances, eles tendem a acabar - pelo menos a maioria - de forma menos dolorosa e crua. Como exemplo dessa comparação, "Madame Bovary", romance que critica ferozmente os costumes e preconceitos da época. "Eugência Grandet", de Balzac, e da mesma forma "A Dama das Camélias", e os finais de todos é triste, duro, irrevogável. A morte como consequência de vidas desregradas ou uma solidão triste e quase tão negra e dolorosa quanto a morte.
Já os romances ingleses primam pela mesma explosão de sentimentos, porém sempre com toques de suspense ("Jane Eyre, "O Morro dos Ventos Uivantes") ou de finais felizes ('Orgulho e Preconceito", "Mansfield Park", "Emma", "David Copperfield", etc.) Eu sempre simpatizei muito mais com os romances ingleses, por esses motivos.

A narrativa de Alexandre Dumas em "A Dama das Camélias" é pleno de  sentimentalismo, lirismo. Como um jovem estudante, de "boa família" poderia se apaixonar de verdade por uma cortesão, ou seja, uma prostituta? Hoje em dia, isso é até comum, embora ainda exista um certo preconceito. Para a época tal coisa era tolerável até certo ponto. Os jovens tinham o direito de "se divertir" com as cortesãs, mas jamais levá-las a sério ou as amarem de verdade.

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 Marguerite Gautier, porém, era uma beldade, embora doente na época em que Armand a conheceu. Mesmo assim, ele se apaixonou, e enquanto tal "paixão" soou como divertimento, sua família fez vista grossa. Quando o amor de ambos se tornou algo mais forte, escandaliza-se a sociedade hipócrita da época: Ele podia dormir com ela, ir às festas, passear, enfim, tê-la como sua companheira "de cama", que tudo ia às mil maravilhas.

Mas quando Armand percebeu que a amava de verdade, e que tudo poderia fazer para tê-la sempre consigo, ao seu lado, pelo resto da vida, a família dele começou a se preocupar.
Marguerite estava doente, com tuberculose ( a doença mais fatal, então) e o pai dele - personagem que se mete na história para destruir tudo - poderia ter refletido, e deixado que ambos vivessem o tempo que lhes restava daquele amor. Mas não, os preconceitos, o egoísmo e a mesquinhez do espírito humano falaram mais alto.

A história é linda, porém triste. Reflete o clima da Paris caprichosa e festeira do século XIX, com sua pompa, seu glamur, sua moda, seus teatros, e também suas misérias, ocultas da alta sociedade, porém sempre despontando, aqui e ali, em certos trechos do romance.

Eu recomendo o romance como mais um símbolo do "amor que não morre", no sentido espiritual dos termos. Um amor imorredouro, como o de Catherine e Heathcliff, como o de Jane e Rochester, como o de Romeu e Julieta. Um casal que viveu intensamente seu amor, pouco se importando com o que a sociedade em redor falava e recriminava. Um grande e belíssimo amor, que findou apenas com a morte.

Lendo tal história, até dá para pensar que esse tipo de amor existe mesmo, entre homens e mulheres, embora seja meio raro... Um amor que o vento não leva, nem a morte, nem o esquecimento. E que fica como um exemplo para as gerações posteriores refletirem na força desse sentimento tão poderoso.


2 comentários:

  1. Eu tenho esse livro e tava meio preguiçosa pra ler. Depois dessa resenha, me animei. Gosto de livros com muita emocao.
    Kiss

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  2. Ritinha, vale a pena mesmo: por mais 'áridos' que os clássicos pareçam no início, se tornam magníficos de certa parte em diante, rss... volte sempre.
    :)

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