26/06/2012

Charles Dickens - A Pequena Dorrit


Sinopse:
Um livro relativamente desconhecido de Charles Dickens: Little Dorrit, ou "A Pequena Dorrit", que de pequena não tem nada, já que se trata de uma obra de mais de mil páginas, embora tenha sido escrito entre 1855 e 1857, seu tema central continua atualíssimo: Amy Dorrit é a filha caçula do presidiário William Dorrit, encarcerado na prisão de devedores de Marshalsea há mais de 20 anos. Note-se que na época de Dickens era este o destino de qualquer homem que não tivesse meio de saldar suas dívidas, tendo o próprio pai do autor passado por uma experiência similar na mesma prisão. Apesar de nascida e criada na prisão, Amy é, paradoxalmente, uma pessoa internamente livre, por não ser apegada ao excesso de materialismo que escravizam seu pai, o irmão jogador e a irmã mais velha, uma dançarina de cabaré vulgar e fútil. A pequena Dorrit divide o pouco que ganha em seu trabalho de costureira com o pai e amigos, e desenvolve ao longo dos episódios uma fiel amizade com o filho de sua patroa, Arthur Clennam, um homem generoso que se revolta com as injustiças sociais a sua volta e vê em Amy um exemplo de coragem e determinação. Graças a uma complexa rede de intrigas por onde transitam vários personagens secundários tipicamente "Dickensianos", os prováveis destinos de Amy e Arthur vão se invertendo de modo surpreendente.
Por Emilia Ferraz, Blog Bolsa de Mulher.

O QUE ACHEI

Como os bons livros são difíceis de encontrar, no Brasil. Principalmente, alguns clássicos da literatura internacional, como esse, que é muito grande (mais de 800 páginas). A única tradução que existe, pelo que pesquisei, é uma simples adaptação da antiga Editora Bruguera; mas adaptação, é  apenas um 'resumo do resumo'. Quando for impossível ler direto do inglês, aconselho aos leitores que leiam a adaptação mesmo. É melhor que nada.

A história em si é plena de romantismo, mas daquela forma peculiar de Dickens, com tramas repletas de personagens coloridos e distintos, alguns engraçados, outros sérios, outros fazendo caras e bocas de vilões malvados. E outros, verdadeiras almas puras. As cenas românticas a que me refiro, são as que tem o toque de uma delicadeza inata e falam com profundidade dos sentimentos e emoções humanas conflituosas. O ponto principal é a habilidade do autor em retratar o mundo mesquinho em que ele viveu e seu contraste com o "outro mundo", ou seja, o mundo das pessoas boas, de corações puros e sinceros, que ele almejava alcançar.

A Pequena Amy é filha do sr. William Dorritt, que vivia na prisão para devedores. Tendo nascido lá, ela não reclamava muito, já que estava mais ou menos acostumada. E a tal prisão era bem estranha aos olhos do século XXI, um local onde famílias inteiras viviam, como se fosse uma espécie de "colônia de férias ruins". Mas Dorritt, uma mocinha gentil e bondosa, não via os defeitos das pessoas que a rodeavam, e a todos perdoava e ajudava.

O pai era arrogante, embora fosse um presidiário. Seu temperamento era o de um nobre inglês, o que ele, intimamente, acreditava ser, enquanto todos os outros "pensionistas" da prisão, seus lacaios. Portanto, todos os favores que lhe prestavam era considerado por ele apenas como o reconhecimento que lhe era devido, sendo ele de uma classe superior: nada mais.

Dorritt trabalha humildemente como costureira da Sra. Clennam, uma mulher idosa rude e durona, que vive numa cadeira de rodas e que parece desprezar o único filho, Arthur. Este conhece Amy um dia, e apesar de ter se apaixonado por outra mulher, é a figurinha gentil de Amy que ele guardará no coração, por toda sua vida.

Diversas situações inesperadas irão mudar o rumo da história. O jogo do destino, envolvendo os Dorritt e os Clennam (e outros personagens secundários) aqui será quase fatal: Não haverá clemência para com nenhum deles, exceto alguns poucos. Dickens imita a vida, há pinceladas de um realismo forte e até mesmo cruel, quando ele narra os destinos dos principais personagens.

Felizmente, ele também era romântico, e o final não é despido de beleza e de uma cativante suavidade. Apesar dos destinos difíceis que alguns personagens irão encarar, há sempre uma delicada sugestão para o leitor: Se você viveu como este (personagem), poderá acabar como ele. Portanto, dê prioridade ao que realmente importa, o verdadeiro amor.

Isso é enfatizado pelo final da história, que fará vocês, leitores, derramarem não poucas lágrimas.

Lindíssimo romance clássico, que merece ser lido linha por linha, e que jamais você esquecerá.


2 comentários:

  1. Inesquecível! Para quem ainda não leu, vale a pena procurar por esse romance clássico de Dickens. Você vai chorar muito, mas serão lágrimas doces, de pura emoção.

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  2. Esse livro é um dos melhores clássicos que li na infancia. Dickens é o melhor escritor de todos os tempos. Tambem gostei muito de David Copperfield!
    Boa resenha!
    ;-)

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