Laura Elias
O Sexo. Ah, o sexo...Não, eu não fiquei maluca, embora você possa estar pensando isso. Explico: quando comecei a escrever romances, uma das coisas que o editor me pediu foi que incluísse cenas de sexo nas histórias, e que as fizesse de forma a não serem grosseiras, mas que fossem explícitas. Não podia usar palavras como pênis ou vagina e confesso que foi bem complicado eu ter que tratar deste assunto por escrito afinal sexo a gente faz, não descreve. Mas quem escreve, descreve e portanto eu me vi diante de um desafio danado. Como poderia descrever uma cena quente entre duas criaturas que estavam doidas para terem um momento de paixão sem que esta descrição ficasse fria e impessoal e ao mesmo tempo sem descambar para a baixaria? Foi neste momento que eu parei e me perguntei: por que sexo tem que ser baixaria? Sexo é tão bom, faz tão bem ao corpo e a alma! De onde foi que eu tirei a idéia da baixaria? Influência talvez da minha educação, das normas sociais, sabe lá de onde, mas a verdade é que eu estava empacada e sinceramente morrendo de vergonha de esmiuçar uma relação sexual por escrito. Porém, a gente faz o que precisa fazer e eu, após empacar por dois dias neste assunto, sentei-me corajosamente em frente ao computador e deixei fluir. Não foi fácil, mas eu consegui fazer. E foi neste momento, depois que eu havia terminado, é que em dei conta de que apesar de eu me achar uma mulher muito moderna e desencanada, eu tinha sim preconceito com o sexo, como se fosse algo sobre o qual não se deveria falar em detalhes.
Interessante é que depois de 10 ou 20 livros escritos, quando as vendas já estavam alavancadas e meu nome se tornava conhecido, comecei a ler as reações das leitoras justamente sobre as cenas de sexo e foi muito estranho porque havia de tudo: desde aquelas que achavam que os livros eram muito fortes, até aquelas que achavam que eram muito suaves. Cheguei a ter inclusive problemas com uma das revisoras que cortou um trecho do livro Raízes da Paixão porque achou que estava quente demais. Esta questão foi contornada e o livro saiu como eu escrevi, mas aí eu percebi que também esta pessoa tinha problemas com sexo, porque não tem preconceito, vergonha ou medo de encarar, também não vê pornografia onde ela não existe. E esta é a razão deste texto, falar sobre sexo e como você lida com ele, que importância ele tem em sua vida, quanto prazer você se permite ter.
Sexo é liberdade e mesmo que seja feito a dois – ou a dez, nunca se sabe - o prazer é algo solitário. Só você sente o seu prazer, só o outro sente o dele, embora o momento seja dos dois, ou dos dez. Sexo é saúde, libera substâncias fantásticas em nosso organismo, ativa a circulação, melhora o humor, a digestão e a capacidade de raciocínio. E, principalmente, nos deixa mais felizes e mais bonitas. Como somos um bicho que pensa, damos ao sexo uma interpretação muito mais sofisticada e minuciosa do que nossos colegas irracionais e podemos optar sobre quando, como, com quem e de que forma queremos exercer nosso livre direito de ser feliz e de sentir prazer. Já ultrapassamos a fase de manutenção e sobrevivência da espécie e embora esta força natural ainda exista em nós, basta olhar a quantidade de pessoas que existe no planeta para ver que já dominamos a Terra, não estamos mais presos à equação básica da sobrevivência que impulsionava a raça humana a procriar para sobreviver. Hoje alcançamos o confortável patamar de pode desfrutar do prazer e de saber que somos dignos dele. É nosso direito ter prazer, ainda que estejamos fora do peso, sem grana ou passando por uma fase meio esquisita na vida. O prazer sexual, o mais básico e físico que conhecemos, é a fonte de outras energias, como a ternura, o carinho, a consideração. Pense nisso um pouquinho, tendo sempre em mente que quem sente seu prazer é você e que você merece sempre o melhor.
Assim como eu precisei parar para analisar porque estava com tanta dificuldade de escrever cenas de sexo, eu convido você a parar um pouquinho e pensar sobre isso. Você conseguiria escrever sobre sexo? Atrás desta resposta pode estar a chave para sua felicidade em vários campos da vida, porque quando nos negamos o prazer básico é bem provável que nos neguemos vários outros. Pare um momento e dê uma olhada neste assunto.
E como sempre, seja muito feliz!

2 comentários:
Jossy, vc desencavou este texto! Caramba, eu escrevi isso, jura?
Hoje escreveria mais algumas coisas, creio eu, e mudaria outras, mas me sinto hontada que vc o tenha publicado aqui
Beijo enorme e obrigada pelo carinho.
Laura, vc lembra que tinha escrito esses artigos aqui para o blog? Rsss.
Pois é, textos bem bacanas! Eu agradeço muito pela sua participação!
=))
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