Madame Bovary, uma mulher incompreendida ou apenas neurótica?
Li esse romance aos 15 anos. O autor é detalhista, realista, cru em sua narrativa. Emma Bovary é pura e simplesmente uma mulher como qualquer outra: Não existe nenhum mistério em sua vida pacata, nenhuma grande aventura, nenhuma emoção. Comparável a uma narrativa atual sobre o dia a dia de uma mulher de classe média moderna, com seus momentos de alegria, tristeza, esperança e sonhos, ou tédio e chateação, o romance é difícil de ser lido para quem procura entretenimento de verdade. Não gostei: Mais do que a vida de Emma, que considera Carlos (o marido) tedioso, é a história do livro em si. A mulher não se apega à família, mas procura sempre por algo inatingível - riqueza, brilho, glória, amantes apaixonados. E como não encontra nada disso, definha. E o leitor que não for afeito aos clássicos, vai deixar de lado o romance.
Flaubert descreveu um mundo triste, de mulheres castradas em seus direitos, sonhos, liberdade; embora esse mesmo mundo de Emma Bovary, tão criticado para a época, seja o atual - de muitas mulheres modernas.
A diferença é que, hoje em dia, as correntes patriarcais começaram a se romper, e a tão sonhada liberdade feminina comece a ser algo tangível; outra diferença, é que as mulheres de hoje já não pecam por tantas extravagâncias como Emma, e sabem onde colocar os pés, no chão firme, duro, às vezes áspero, da realidade.


4 comentários:
Oy, Jossy, Madame Bovary, no meu entender, retratou - e ainda retrada - a vida de tantas mulheres que, sedentas por viver aquilo que lhes chama o coração, ficam presas pelas conveniências e papéis sociais. É um livro fantástico que desvenda as tormentas da alma feminina, tão dividida entre aquilo que lhe disseram ser certo e aquilo que ela realmente deseja.
Um livro invejável, escrito com maestria. Quisera eu ter este talento e capacidade, viu?
Beijo grande!
Pois é, Laura... Desse livro eu não gostei mesmo, não sei explicar por que. Li, depois de anos tentei reler... esse, como outros clássicos franceses, não fez minha cabeça,rs... cabeça oca, rs... Acho que me afino mais com a literatura inglesa, rs. Mas deve ser lido, claro, para que a gente possa compreender como a sociedade vai mudando ao longo do tempo, e como o papel da mulher também mudou.
Bjos!
Olá, Jossi. Bom dia, tudo bem?
Bom, estou lendo o Madame Bovary pela segunda vez. Dizem que uma segunda leitura é sempre esclarecedora, não é?
É um livro realista semelhante aos de Machado de Assis, pois retrata a sociedade da época. Madame Bovary é considerada por mim como uma mulher voluntariosa e sonhadora. Ela tem atitudes muito a frente de seu tempo e anseios considerados pecaminosos por àquela sociedade.
Charles Bovary, por ser um homem simples, sem ambições e que gosta da vida pacata, acaba tornando-se odioso aos olhos da esposa. Essa, deseja o luxo, as festas, os amantes. Mas, no início, Emma era uma boa esposa.Dedicada, gentil e apaixonada. Veio então a filha, fazendo com que Madame Bovary mudasse ainda mais.
Acredito que Emma,- mesmo podendo ser julgada como má esposa, mãe e cristã-, é apenas uma mulher com o espírito independente. Uma mulher como as de hoje, que escolhem seus parceiros, se desejam filhos e suas carreiras. Mesmo odiando Madame Bovary boa parte do livro, consigo entendê-la um pouco, apesar de não concordar com muitas de suas atitudes e pensamentos.
Madame Bovary é um livro que ainda dá muito o que falar.
Um beijo.
Oi, Jujuba!
Pois é, o livro é de mexer muito com nossa psique, com nossas emoções mais profundas. Através dele, podemas analisar o perfil de algumas das 'senhoras' da época... e creio, mesmo, que não eram só as francesas que agiam de forma volúvel e leviana, as inglesas também, e a maioria das européias. Só que Emma levou azar, porque além da depressão causada por suas ilusões amorosas, ainda caiu nas malhas de um usurário... se encheu de dívidas, a maioria presentes para amantes... e depois só viu como saída, o suicídio.
Um final trágico, para uma vida infeliz. Acho que, se tivesse um pingo a mais de sensatez, ela teria se tornado um ícone da felicidade doméstica...
Eu acho que é um grande livro, mas é preciso se preparar para alguns momentos de depressão. A vida de Emmma nos leva a pensar e é um exemplo a NÃO ser seguido.
Bjos!
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